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CASO

Helenira Rezende de Souza Nazareth (Preta, Fátima)

Dados Pessoais
Nome: Helenira Rezende de Souza Nazareth
Data de nascimento: 11 de janeiro de 1944
Local de nascimento: Cerqueira César (SP) -  Brasil

Organização Política:  Partido Comunista do Brasil (PC do B)

Dados biográficos
 
Helenira Rezende de Souza Nazareth nasceu na pequena cidade de Cerqueira César, no interior de São Paulo e era filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Rezende de Souza Nazareth. Muito pequena mudou com a família para Assis. Nessa cidade passou parte da infância e toda adolescência, vindo a concluir o Curso Clássico na EEPSG Prof. Clibas Pinto Ferraz. Foi jogadora da seleção de basquete de Assis, onde destacou-se por ser uma excelente atleta, não por acaso foi também medalhista na modalidade de salto a distância. Desde cedo preocupava-se com questões sociais e dedicava-se ao estudo do marxismo, tais fatos certamente contribuíram para que fosse uma liderança no meio estudantil de sua cidade, tendo sido a primeira presidente e fundadora do Grêmio Estudantil da escola Prof. Clibas Pinto Ferraz. Transferiu-se para São Paulo, Capital, onde começou a cursar Letras na Faculdade de Filosofia da USP, à época na rua Maria Antonia. Novamente destacou-se como líder estudantil, além de colocar em circulação posições avançadas para o período. Chegou a ser vice-presidente da UNE, em 1968. Nesse ano foi presa no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). Levada para o presídio Tiradentes, foi transferida para o DOPS, onde foi jurada de morte pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Helenira foi solta por força de habeas-corpus. Desse momento em diante sua vida se deu na clandestinidade, vivendo em diversos locais até ir para o Araguaia. Ali integrou o Destacamento A da guerrilha, quando foi morta enfrentando o aparato repressivo do regime militar. Por conta de sua coragem e liderança, o destacamento onde atuava passou a chamar-se Destacamento Helenira Rezende.

Segundo a família, Helenira era tratada como Nira pelos familiares; os colegas de USP chamavam-na Preta; os companheiros do Araguaia de Fátima.

Dados sobre sua prisão e desaparecimento
 
Integrante do Destacamento A da guerrilha, onde usava o nome Fátima, Helenira fazia parte de um grupo emboscado por fuzileiros navais em 29 de setembro de 1972. Ferida no tiroteio e metralhada nas pernas, recusou-se a entregar a localização dos companheiros aos militares e foi torturada e morta a golpes de baioneta.

Sobre sua morte o Relatório Arroyo, escrito pelo dirigente do PC do B Ângelo Arroyo, que escapou ao cerco militar à região em 1974, assim a descreveu:
 
No dia 29 de setembro, houve um choque do qual resultou a morte de Helenira Resende. Ela, juntamente com outro companheiro, estava de guarda num ponto alto da mata para permitir a passagem, sem surpresas, de grupos do destacamento. Nessa ocasião, pela estrada vinham tropas. Como estas achassem a passagem perigosa, enviaram “batedores” para explorar a margem da estrada, precisamente onde se encontrava Helenira e o outro companheiro. Este quando viu os soldados, acionou a metralhadora, que não funcionou. Ele correu e Helenira não se deu conta do que estava sucedendo. Quando viu, os soldados já estavam diante dela. Helenira atirou com uma espingarda 16. Matou um. O outro soldado deu uma rajada de metralhadora que a atingiu. Ferida, sacou o revólver e atirou no soldado, que deve ter sido atingido. Foi presa e torturada até a morte. Elementos da massa dizem que seu corpo foi enterrado no local chamado “Oito Barracas”.

Além disso, sua morte foi citada no Comunicado 6 da Forças Guerrilheiras do Araguaia. Nas fichas encaminhadas anonimamente para o jornal O Globo, em 1996, registra-se “[...] foi morta no dia 28 set. 72, no Pará”. Outro relatório, desta vez assinado pelo comandante da 3ª Brigada de Infantaria, general Antônio Bandeira, a uma certa altura diz “[...] ação de patrulhamento, em 28 Set. 72, executada por 1 GC na R do Alvo teve como resultado a morte da terrorista Helenira Rezende de Souza Nazareth ‘Fátima’ (Dst A ― Grupo Metade)”. Em outro documento produzido por órgãos militares, o Relatório da Operação Sucuri, Helenira é indicada como morta, no entanto, nele está registrado seu nome falso, Fátima.

Diversos presos políticos denunciaram o assassinato de Helenira: Elza de Lima Monnerat denunciou que seu assassinato se deu sob tortura, após ter sido baleada nas pernas; Danilo Carneiro, um dos primeiros guerrilheiros a ser preso pelo exército, afirmou ter visto na prisão slides de corpos mutilados de guerrilheiros e álbuns de fotografias que lhe eram mostrados pelo Exército para que ele os identificasse. Carneiro afirma ter visto fotos de diversos corpos, entre eles o de Helenira; Regilena Carvalho de Leão de Aquino, em depoimento do processo movido pelos familiares de desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, na Primeira Vara da Justiça Federal (este processo é o mesmo do depoimento de Danilo Carneiro), afirmou que o general Antônio Bandeira disse-lhe da morte de Helenira Rezende; por fim, moradores da região onde se deu o assassinato de Helenira, em depoimento ao MPF, afirmaram ter conhecimento da morte de Helenira. 

O “Relatório Parcial da Investigação sobre a Guerrilha do Araguaia”, do Ministério Público Federal (MPF), de janeiro de 2002, concluiu:
 
Fátima: Helenira Rezende foi vista por um depoente, baleada na coxa e na perna, sendo carregada em cima de um burro de um morador da região, próximo à localidade de Bom Jesus. Outro depoente ouviu referências de que Fátima foi vista na base de Oito Barracas. E um terceiro conta que ouviu falar ter Fátima chegado já morta em Oito Barracas, em função de ferimentos. Em fragmento de um relatório aparentemente oficial, há registro de que Fátima teria sido morta em setembro de 1972.
 
Providencias posteriores
 
Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos do anexo I, da lei 9.140/95.
 
Em sua homenagem, as cidades de São Paulo (SP) e Campinas (SP) deram o seu nome a ruas situadas nos bairros Cidade Ademar e Grajaú, na capital paulista, e Vila Esperança, no interior do estado. A cidade de Guarulhos (SP) também deu o seu nome a uma de suas ruas.
 
No ano de 2012, a Associação de Pós-graduandos da Universidade de São Paulo, decidiu prestar homenagem a Helenira e ao seu passado de lutas por um outro Brasil, batizando a entidade com seu nome.

Informações tiradas do Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1985. (IEVE- Instituto de Estudos Sobre Violência do Estado e Imprensa Oficial, São Paulo, 2009) 



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